Os anos correm diante dos nossos olhos, sem percebermos que durante cada ciclo de estações, fomos marionetes na mão do destino. Por um momento, depois de termos feito a escolha que nos proporciona o que mais desejamos, pensamos estar no auge de uma vida perfeita, com sonhos, satisfações e sentimentos cheios de beleza como as flores, mas só há flores na primavera. E logo temos que fazer outra escolha, porque querendo ou não a flores murcharão. Logo teremos que fazer a escolha que nos levará a outra estação, uma estação de acontecimentos marcantes, com coisas importantes a se pensar ou fazer. Onde precisamos arriscar ideias incertas com a consciência de que podem ou não dar certo, mas mesmo assim mergulhando de cabeça em cada uma delas. É no verão que devemos brilhar tanto quanto o sol em nossas proezas e sentar e pensar onde falhamos nas ideias fracassadas, assim como pensamos na vida olhando as chuvas de verão. Após essa estação de muitas experiências intensas, com erros e acertos, chegamos a um tempo em que tudo parece estar fugindo de nós, passando despercebido pelos nossos olhos, e logo bate aquele medo de nada mais voltar e de termos jogado fora todo aquele tempo, semeando e cultivando sonhos e ideias que em curto prazo pareciam inúteis. O outono é isso, uma estação de monotonia em que pensamos ter a definição e a certeza de tudo o que está para acontecer. Mas não é assim, no outono todos os nossos conceitos mudam, os sonhos ficam duvidosos, as ideias sem fundamentos, a vida sem sentido. Um tempo de fraqueza com uma imensa interrogação do que queremos, do que fizemos, do que somos. Porém não devemos nos deprimir, afinal é apenas uma estação que logo vai passar, nada nesse ciclo de vivências é pra sempre. Apesar de parecer uma imensidão, o outono é a mais curta estação, em poucos dias chega a ultima das estações de cada ciclo, o inverno. Tal estação me fascina, ele tem a mesma monotonia do outono, mas por outro lado, ele nos deixa seguros de nossas vidas, e ai sim entendemos que nada é por acaso, que tudo que passamos em cada estação nos serviu de ensinamentos. Aprendemos coisas que jamais aprenderíamos realmente se não fosse daquele jeito, os sonhos e ideias que em curto prazo pareciam inúteis em longo prazo tornaram-se essências para esse aprendizado. Com o inverno vem o frio, a neutralidade das estações, o que nos ensina a verdadeira farsa da vida, nos ensina que não temos escolha alguma, pode até parecer que é mentira, mas na realidade, já estava tudo traçado pelo destino, a cada ano vivemos a mesmas estações. É claro que sempre irá haver várias opções, mas todos já sabemos qual será escolhida, vamos escolher a opção que nos parece mais confiável e favorável a nos mesmos, e é nessa opção que o destino camufla perfeitamente o seu desejo. O que o destino separou para as nossas vidas é o que ele acha que somos capazes de suportar, às vezes ele erra e caímos em depressão, porém quando acerta temos a certeza de que construímos a vida que sempre sonhamos. Pobres marionetes nós somos, com todas as evidências de que a cada ano vivemos as mesmas vivências em experiências diferentes, ainda achamos que quem manda em nossas vidas somos nós mesmos. Nós somos apenas protagonistas da uma historia já escrita. Tem apenas uma coisa que não é o destino que escolhe: somente nós mesmos podemos decidir e formar o ser humano que desejamos ser, somos nós mesmos quem criamos nossas ideias e sonhos, nós decidimos a pessoa que seremos e isso ajuda muito na vida que o destino nos propõe. Não podemos escolher a vida que temos, no entanto podemos transformá-la na vida que quisermos. Afinal temos a vida que merecemos, onde ao conseguirmos superar nossos desafios alcançaremos a tão sonhada vida que idealizamos. Sendo intensamente felizes em cada primavera, vitoriosamente realizados em cada verão, inevitavelmente desiludidos em cada outono e plenamente satisfeitos com o ciclo de estações que fechamos em cada inverno, estando assim prontos pra um novo ano e um novo e inesperado ciclo de estações com diferentes experiências e semelhantes vivências. Vivências de mesma essência, porém nunca iguais e nunca com os mesmos aprendizados.